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Graduação

Pós-Graduação

Extensão

Linha de Pesquisa 'Atividade Física, Adesão e Políticas Públicas de Lazer'


Apresentação
Linhas de Pesquisa
Contato

Coordenador: Prof. Ms. Marcos Santos Ferreira
Estudantes Envolvidos: 9
(Graduação - 9; Mestrado - 0; Doutorado - 0)

Introdução

Os estudos aqui incluídos preocupam-se com as formas pelas quais procura-se aumentar o nível de adesão das populações à atividade física regular. Parte-se do princípio de que as campanhas existentes revelam-se ineficazes, uma vez identificando a atividade física com modelos de prevenção primária de fatores de risco para doenças se distanciam das propostas do ideário da promoção da saúde. Tal forma de encarar a promoção da atividade física regular, movida nitidamente por argumentos epidemiológicos, é influenciada por movimento conhecido como ‘Aptidão Física Referenciada à Saúde’ (AFRS) [do inglês Health-Related Fitness] que, desde a década de 80, vem ganhando espaço em países como Grã-Bretanha, Canadá, Estados Unidos e Austrália. A idéia central é contribuir para a melhoria da saúde da população por meio da construção de estilos ativos de vida. Para tanto, as pessoas deveriam ser capazes de selecionar as atividades que satisfariam suas necessidades e interesses, de avaliar e resolver seus próprios problemas de aptidão física. A ênfase posta nos conteúdos da área biológica e na aptidão física, ainda que numa perspectiva permanente, gerou críticas ao caráter por demais biologicista e individualista do movimento. Dessa forma, consubstanciar-se-ia um distanciamento das idéias da promoção da saúde, com as quais se procura freqüentemente identificar a AFRS. Ao nosso ver, da maneira como vem sendo trabalhada, a defesa da aptidão física para toda a vida aproxima-se mais do paradigma médico, enquanto prevenção primária de fatores de risco para ´doenças hipocinéticas´, do que de um projeto visando a capacitação dos indivíduos. Um dos pontos fulcrais da promoção da saúde é o exercício de todas as potencialidades dos indivíduos, a partir da construção de condições favoráveis à tomada de decisões que contribuam a modos de vida, por assim dizer, ´desejáveis´. Para tanto, estratégias de educação para a saúde, campanhas de esclarecimento e outras iniciativas afins, deveriam vir par a par com intervenções no sentido de tornar o entorno social propício à adoção de hábitos compatíveis com o que se considera saúde. No tocante às atividades físicas, as políticas públicas deveriam incluir a disseminação da informação, mas também o incremento da interação social e das oportunidades de engajamento em atividades desportivas, culturais e de lazer ativo. Obrigações do poder público, como transporte, segurança e oferta de espaços de lazer aumentam, indubitavelmente, as chances da adoção da atividade física no tempo livre. Mesmo campanhas informativas, como é o caso da maior parte das iniciativas, deveriam ir além da enumeração dos benefícios e técnicas referentes ao como fazer exercício - aspectos relacionados às dificuldades para incluir a atividade física regular entre os hábitos de vida deveriam ser trabalhados, a fim de aumentar o poder de reivindicação e cobrança das comunidades. Na verdade, a influência das idéias da aptidão física referenciada à saúde, aliada à preponderância do discurso epidemiológico típico do paradigma biomédico, vem dando ensejo a campanhas que, ao mesmo tempo, revelam-se pouco eficazes na prática e sem sustentação na teoria. O discurso demasiadamente centrado na prevenção de doenças e na economia social decorrente embute, em primeiro lugar, uma ênfase cuja tendência é culpabilizar a vítima. Ora, individualizar esta discussão significa eximir a sociedade e o poder constituído de suas responsabilidades no sentido de construir as condições para um real engajamento das populações nos hábitos almejados. Em segundo lugar, assumir que o indivíduo teria todo o poder de decisão em relação aos seus modos de vida, seria assumir uma posição algo injusta, esquecendo que a própria sociedade engendra todas as condições para a adoção de hábitos que ela classifica como pouco recomendáveis. A análise do ideário da promoção da saúde, portanto, permite concluir que as estratégias predominantes no estímulo à prática regular das atividades físicas aproximam-se mais de iniciativas afeitas à prevenção primária de doenças do que das concepções contemporâneas de saúde. O pouco impacto no perfil de sedentarismo das populações, em todo o mundo, permite pensar que um redimensionamento destas estratégias seria aconselhável. Reconsiderar o conteúdo das informações difundidas, atribuindo um justo equilíbrio entre as responsabilidades individuais, coletivas e do poder público, evitando a ênfase epidemiológica e a disseminação de discursos salutaristas típicos da culpabilização da vítima, parece-nos uma opção digna de consideração. Com isso, ao nosso ver, aumentar-se-iam as possibilidades de contribuir com uma real capacitação de indivíduos e coletividades frente aos problemas postos pela prática das atividades físicas, em posicionamento mais próximo das concepções do movimento da promoção da saúde.

Estudos na área 'Atividade Física, Adesão e Políticas Públicas de Lazer'

  • Levantamento do Perfil dos Praticantes de Atividade Física em Espaços Públicos Urbanos

Os projetos aqui agrupados fazem um levantamento das motivações dos praticantes de atividades físicas nos espaços públicos de Niterói e Rio de Janeiro. Dentre as questões apreciadas, estão os pontos positivos e negativos dos espaços, as razões pelas quais os indivíduos realizam as atividades e quais as dificuldades encontradas para manter este hábito. As pesquisas inseridas nesta linha visam contribuir para a compreensão das variáveis intervenientes na adesão à prática de atividades físicas e contribuir para a implementação de políticas públicas na área de esportes e lazer.

  • Levantamento de Espaços Públicos de Lazer nas Cidades do Rio de Janeiro e Niterói

Este grupo de projetos pretende fazer um levantamento dos espaços públicos de lazer nas diferentes regiões de algumas cidades. O projeto nasce da ausência de informações sobre esses espaços nas prefeituras destes municípios, além de fornecer base para estudos posteriores sobre a adesão ao lazer ativo nos seus diversos bairros, de acordo com a oferta de instalações pelo poder público.

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